Bebêchila - 5 anos de trajetória....!

A Bebêchila faz 5 anos de existência... Lá atrás, em 2008, existiam apenas a necessidade de viver com conforto os passeios com nossa bebezinha linda, os pilotos a todo vapor e as amigas-mães provadoras de tudo o que se construia.
A bebezinha da história é uma linda menina de 5 anos também. E ela já tem uma irmã de 3 anos. E são nessas aventuras com as duas que surgem as necessidades de espaços, compartimentos, acessórios, mais e mais conforto. Contamos mais da história toda aqui.
A vontade de propagar a todo canto essa maneira de integrar os filhos na nossa vida, de criar suporte para a nossa presença de pais na vida dos filhos, continua crescendo, no Brasil todo.
Antes, o que era restrito a alguns bairros de São Paulo, com destaque para a Vila Madalena, hoje as bebêchilas são enviadas muito mais para outros estados do que para a capital paulista.
Só temos o que comemorar...!!!!


Pesquisa sobre o cérebro de gestantes e mães!

As sensações de esquecimento e distração quando uma mulher espera um bebê são comuns à muitas mães... não são lendas. E essa condição não se respalda melhor por causa de um estudo científico. Nós sabíamos que era um fato. E que a nossa ligação e afeto com o bebê em desenvolvimento direciona muito a nossa atenção.
O interessante é agora um dado que vem quantificar, detalhar. Dando uma dimensão concreta nessas acomodações cerebrais.

Texto extraído do livro "Minha mãe é um negócio", da Patricia Travassos e da Ana Claudia Konichi, idealizadoras da série Mães S/A.

"Minha mãe é um negócio"

Vocês já ouviram falar no empreendedorismo materno, não? Mães que decidem mudar o rumo profissional de suas vidas, depois de se tornar mãe. Uma ideia, uma oportunidade, uma vontade irracional e irrestrita de ser presente na vida do filho. Pois bem, é dessa mesma leva que surgiu a Bebêchila, há quase 5 anos.
Ana Claudia Konichi e Patricia Travassos já trabalharam em conjunto na série "Mães S/A", para o Fantástico. E, num trabalho de formiguinha, reuniram diversas histórias de mães empreendedoras e compilaram num livro lançado ontem na Livraria Saraiva em São Paulo. "Minha mãe é um negócio" é o nome do livro. Super bem escrito, um guia para novas empreendedoras!


O mais recente vídeo da Bebêchila

Bebêchila, mais que uma empresa, mais que uma marca, é também um comportamento, é um modo de ser em família. É uma forma de estar presente na vida dos filhos. É a proximidade, o contato e a alegria de conhecer o mundo juntos.

Assistam ao nosso mais recente vídeo! http://youtu.be/JAxYcC8xeS0






Bebêchila participa da big feira CBME, na semana que vem!

Está chegando, gente! Um lindo passo para a Bebêchila com os lojistas do Brasil e do mundo!

Uma salva de vivas!!!



De 27 a 29 de Agosto, a Bebêchila estará na CBME South America, em São Paulo.
A feira é o evento mundial líder em produtos para crianças, bebês e maternidade.
Saiba mais sobre o evento:

A CBME (children Baby Maternity Expo) é um dos eventos líderes no mundo para produtos de Crianças, Bebês e Maternidade. Organizado pela UBM , o evento cresce a cada ano e expande a sua atuação por todo o planeta.
CBME South America:
Acompanhando o incrível crescimento do mercado Brasileiro no segmento infantil, a CBME, lança sua primeira edição na América do Sul, que será realizada de 27 a 29 de Agosto de 2013 em São Paulo, no Transamérica Expo Center. A edição brasileira da feira reunirá cerca de 100 expositores e 4.000 compradores vindos de toda a América do Sul.
CBME South America entra no mercado Brasileiro como a única feira da América do Sul especializada em toda a linha de produtos infantis. Esse evento será um marco no cenário nacional, pois trará grandes empresas do mundo inteiro, oferecendo o que há de mais moderno em tecnologia e tendências em puericultura, brinquedos, higiene e cosméticos infantis, além de uma vasta linha de acessórios nesse segmento.
Também nos destacamos pelo nosso programa qualificado de conferências e workshops realizados por especialistas nacionais e internacionais, e também, por proporcionar aos expositores um espaço para falar sobre seus produtos e serviços ou ainda uma oportunidade de debater com outras empresas sobre o mercado infantil.
CBME No Mundo
A CBME é um dos eventos lideres no mundo para produtos infantis, organizado pela UBM há 12 anos , os eventos CBME contam com mais de 2500 marcas expositoras e um público de mais de 150 mil visitantes vindos dos cinco continentes. Com quatro edições realizadas anualmente, a CBME cresce a cada ano e expande a sua atuação para todo o planeta.

Bebêchila lança a Bebêchilinha Sobrerodas!!!

Cada produto novo, é como um novo filho nascendo.... estamos radiantes para anunciar a vocês o lançamento da Bebêchilinha Sobrerodas!

Foi quase um ano de desenvolvimento, em parceria com a empresa Subi no Limoeiro, da querida Fernanda Passos, que criou as 4 estampas exclusivamente para a Bebêchila.

Minhas filhas adoram carregar, as suas crianças também? Carregar bolsa, mochila, imitando a mãe, o pai, indo trabalhar ou viajar, puxando uma mala de rodinha. Isso sempre foi uma diversão enorme aqui em casa! Foi a partir disso que criamos essa mochila de carrinho para criança.

Produto nacional, oriundo de empreendedorismo materno!

Vejam mais detalhes aqui: http://www.bebechila.com.br//produtos/514/bebechilinha-sobrerodas (5 fotos)






Nesse final de férias, dicas do que fazer com as crianças!

As férias escolares estão terminando e as ideias do que fazer com as crianças também podem se esgotar.
Com esse frio congelante então, haja criatividade!!!
Leia aqui então um refresco para as atividades!




O que fazer com as crianças nas férias
 Por Lu Martinez*
Com as crianças em casa, haja imaginação para inventar brincadeiras e tarefas para preencherem o tempo, onde normalmente é cheio de horários e regras definidos.

Com meus filhos, nada de ficar o dia todo no videogame, nem na frente da televisão e internet. Para cada um deles temos um tempo de duração, onde as crianças podem sugerir e/ou escolher o melhor horário.

Criança precisa, além da tecnologia, brincar como criança, gastar energia, fazer exercícios físicos e exercitar muito a criatividade e imaginação.

Por isso, aqui vai algumas dicas para o tempo deles ser preenchido adequadamente, com todo bom senso e desenvoltura:

1) regras sim, mas nem tanto : horários disciplinados e regras para bagunças e guloseimas podem ser menos rígidas nesta época. Dormir e relaxar um pouco mais pela manhã é sadio também. Embora organizar seja preciso, a primeira regra é relaxar com os horários e permitir que a preguiça se aconchegue. Tudo pode e deve ficar diferente, ser uma pausa na rotina dentro de casa, mas com imaginação. A ordem é que sejam dias que fujam do normal. Afinal, são férias e não importa onde aconteçam. Elas existem para que as crianças se divirtam. Em casa ou não, que as férias do seu filho sejam uma folguinha gostosa e bem diferente;

2) Passeio turístico pela sua cidade: é incrível como não fazemos isso na nossa própria cidade ! Aqui no blog vocês podem conferir vários pontos em SP capital onde podem dar de turista !
Pesquisar sites, jornais, revistas sobre a sua cidade e pontos turísticos pode transformar alguns dias bem divertidos, e perto de casa;

3)Pôr-do-sol: Se você mora numa cidade à beira-mar, no campo ou numa região montanhosa, no fim de semana não perca a oportunidade de levar seus filhos para curtir o entardecer. Aproveite para conversar, saber mais do dia-a-dia do seu filho, de seus medos e anseios, das suas alegrias, do que ele gosta...você ficará surpresa de como não conhecemos eles tão profundamente quanto pensamos...;

4)Piquenique: Normalmente o primeiro lugar que as crianças escolhem para comer é...aquele amarelo e vermelho rsrsrsr Que tal trocarem o MC por um piquenique? Pode ser em uma praça perto de casa, um parque, ou até um lugar mais afastado, bonito e bem freqüentado. Para isso, prepare uma bela cesta com tudo o que os pequenos gostam de comer e beber, e, lembre-se leve pratos, copos, talheres, guardanapos descartáveis, e um saco de lixo bem grande;

5) Cinema + Pipoca + Guaraná: um belo filme ou desenho animado em 3D é sempre uma festa. Se na sua cidade não há sala de cinema, que tal alugar um DVD?
Nas férias, a programação infantil das salas de cinema são bem recheadas;

6) Que tal cultivar uma horta em casa: as crianças adoram mexer na terra, pedrinhas, pazinhas e rastelinhos....além de saudável ter vasinhos ou canteiros de ervas frescas a qualquer hora é uma delícia !
Os pequenos ficarão surpresos ao perceber que de dentro de uma pequenina semente brota vida, beleza e alimento;

7) Caravana Cultural: Para os filhos pequenos, filmes e teatros. Para os jovens, escolham em conjunto um espetáculo que agrade a todos: pode ser um show, um musical, uma comédia. Seja qual for a escolha, faça companhia a eles. Conversar sobre o que vão assistir é uma ótima forma de estimular a curiosidade e aumentar o conhecimento dos filhos;

8) Cultura em casa : se estiver chovendo, monte a sua própria programação em casa! Pense na possibilidade de ensinar algum tipo de artesanato, pintura, levar as crianças para a cozinha para preparar um bolo simples, brigadeiro para comer de colherada. Uma outra idéia é montar uma peça de teatro com todos da família, e com direito a figurino e tudo !
Estimular a criatividade através de brincadeiras e teatros é uma fonte ríquissima de prazer e aprendizagem. Passar conceitos como "bom dia", "obrigada", "por favor", é bem fácil nessas mirabolantes fantasias de atuar;

9) Hora da saudade: Aproveite os filhos reunidos para rever filmes de viagens que vocês fizeram juntos; revejam álbuns antigos fotografias, registrem os momentos importantes da vida familiar. Que tal promover uma exposição na sala de casa após o almoço?;

10) Leitura: No fim da tarde depois do almoço, leia histórias para seus filhos darem aquela descansada, aquele soninho da tarde que toda escola integral tem. Se eles já forem grandes, conte uma passagem da sua própria história;

11) Dia do contrário: Ideal para crianças até 10 anos. Nesse dia, pais e filhos invertem seus papeis. Escolher o que vestir, restaurante aonde ir e o que irão comer é tarefa dos filhos. Os pais apenas obedecem às ordens. É uma maneira de ver como os filhos vêem a relação;

12) Internet que integra: se a família toda se reunir em volta do computador, num sábado a tarde, por exemplo, é possível encontrar assuntos que interessem a todos. Fazer pesquisas sobre um tema também é uma boa pedida (meus filhos adoram dinossauros e astrologia !). Ouça as sugestões de dialogo deles filhos e aproveite para conceitos básicos sobre os perigos e benefícios da internet;

13) Inseridos no planeta terra: pegar um mapa mundi e desvendar o mundo através dele é bem divertido. Além dos pequenos aprenderem sobre os oceanos, países, principais capitais, continentes, ou seja, sobre geografia, também podem combinarem a próxima viagem de férias, quem sabe?;

14) Karaokê: É sem dúvida uma ótima opção para aproximar pais e filhos, soltar a voz, aprender letras de músicas e muitos ritmos diferentes;

15) Brincar de esconde-esconde dentro de casa: é um barato quando encontramos nossos pequenos enfiados nos cantinhos mais impossíveis da casa;
16) Ofincias: que delícia tirar uma tarde para colocar as mãozinhas na massa e se tornar um (a) pequeno (a) “chef gourmet” ou artista. Oficinas de arte ou de “seja o (a) chef” são atividades onde literalmente se põe a mão na massa, se fazem belezas e gostosuras, e, mais ainda, trabalha com a criatividade e a socialização. Neste período há muitos espaços e livrarias que oferecem-nas.   

17) Lanterna: a noite, após o jantar, todos no quarto reunidos, porta fechada e luz apagada, lanterna na mão e....muitas figuras na parede !!! Imaginação, risadas e brincadeiras criativas surgem com a escuridão e um foco só de luz.

Bem, acho que essas dicas já podem consumir 17 dias das férias...

Outras dicas ou programações de férias também podem ser encontradas na internet, revistas, jornais e guias.
Boas férias !
*Escritora de livros infantis, Lu Martinez é empresária e economista, com especialização em Marketing, pela Escola Superior de Propaganda e Marketing, em Administração, pela Fundação Getúlio Vargas, e Capacitação Gerencial, pela Fundação Instituto de Administração – USP. 

Beleza natural, mães no Mamatraca!

Nós somos fãs do Mamatraca...! Vocês conhecem o site Mamatraca? Não?!

Assuntos da maternidade são tratados com profundidade, nos colocando em cheque nas ideias prontas sociamente aceitas, com seriedade e bom humor.

E compartilho com vocês a última matéria sobre  imagem pessoal com Milena Codato, em uma série de vídeos com dicas pra valorizar a beleza natural sem ter de se submeter a padrões de beleza. Demais né?!

Todos os videos aqui: http://mamatraca.com.br/?theme=83






Da mesma série: criação com apego

Compartilho hoje com vocês um texto publicado no Mamatraca, escrito por Alvin Powell, a respeito de uma  pesquisa recente sobre a prática "deixar chorar para se independente". O que nosso impulso materno já conhece - acolher, conter, confortar - agora no foco da ciência.

"NÓS SUPERVALORIZAMOS A INDEPENDÊNCIA"

Crianças precisam de toque e atenção
Em tradução livre por Mamatraca

A prática americana do "deixa chorar" pode levar à mais medos e lágrimas quando as crianças atingem a fase adulta, de acordo com dois pesquisadores da Harvard Medical School.
Ao invés de deixar seus bebês pequenos chorando, os pais deveriam mantê-los próximos, consolar suas lágrimas e levá-los junto para suas camas, onde podem se sentir seguros, dizem Michael L. Commons e Patrice M. Miller, pesquisadores do departamento de Psiquiatria. 
A dupla examinou modelos de criação de filhos nos Estados Unidos e em outras culturas e diz que a amplamente divulgada prática Americana de colocar bebês para dormir em camas separadas, ou quartos separados dos pais, e não responder prontamente aos seu choro pode levar a incidentes de stress pós traumático e síndrome do pânico quando essas crianças atingem a idade adulta.
O stress precoce resultante da separação causa mudanças no esquema cerebral dos bebês pequenos que faz com que os futuros adultos se tornem mais suscetíveis à stress, dizem Commons e Miller.
"Pais precisam reconhecer que deixar os bebês chorando sem necessidade pode causar danos permanentes," diz Commons. "Altera o sistema nervoso, causando uma sensibilidade maior à futuros traumas."
O trabalho desses pesquisadores é único porque tem uma abordagem multi disciplinar, examinando as funções cerebrais, aprendizado emocional em bebês pequenos e diferenças culturais, de acordo com Charles R. Figley, diretor do instituto de Traumatologia na Flórida State University, e editor do "The Journal of Traumatology".
"É muito incomum, mas extremamente importante encontrar esse tipo de relatório multidisciplinar e interdisciplinar que que aborda as diferenças inter-culturais na resposta emocional das crianças, e suas habilidades para lidar com stress, incluindo stress pós-traumático." diz Figley
Figley diz que o trabalho dos pesquisadores de Harvard ilumina um caminho para estudos futuros, e pode ter implicações para um leque de práticas: desde os esforços parentais para estimular o desenvolvimento intelectual em bebês pequenos até a circuncisão.
Commons é palestrante e pesquisador do Medical School's Department's Of Psychiatry desde 1987 e membro do Department's Program in Psychiatry and the Law.
Miller é uma pesquisadora associada do mesmo programa desde 1994 e professora assistente de psicologia na Salem State College desde 1993. Mestra e Doutora em desenvolvimento humano pela Graduate School of Education.
O casal diz que as práticas americanas de cuidado com crianças são influenciadas pelo medo de que elas se tornem dependentes. Mas insistem que os pais estão no caminho errado: contato físico e conforto farão crianças mais seguras e mais aptas a desenvolverem relacionamentos adultos quando elas finalmente estiverem por conta própria.
"Nós super valorizamos a independência de forma que há efeitos colaterais muito negativos," diz Miller.
Ambos ganharam atenção em Fevereiro, quando apresentaram suas ideas no encontro anual da American Assiciation for the Advancement of Science's, na Philadelphia.
Commons e Miller, usando dados que Miller compilou, contrastou o modo americano de cuidado de infantes com outras culturas, em especial os Gusii do Kenya. Mães Gusii dormem com seus bebês e respondem prontamente ao seu choro. Mães Gusii ficaram contrariadas com o tempo que levava à mães americanas para atenderem ao choro de seus bebês, quando assistiram à videos expostos pelos pesquisadores.
O jeito que somos criados desde o nascimento dá cores à nossa sociedade. Americanos em geral não gostam de ser tocados, e orgulham-se de sua independência à ponto de isolamento, mesmo quando passam por momentos de stress ou dificuldade.
Apesar do senso comum de que bebês deveriam aprender a permanecer sozinhos, Miller diz que muitos pais "roubam," mantendo o bebê no mesmo quarto que eles, pelo menos no início. Depois disso, à partir do momento que aprendem a se locomover é natural que os próprios bebês procurem por si só os pais para segurança.
Pais e mães não deveriam se preocupar com esse comportamento como sendo algo negativo, ou ter medo de tratar bebês como bebês, dizem os pesquisadores. Pais precisam se sentir livres para dormir com seus filhos, carregá-los no colo, mantê-los por perto, e oferecer conforto imediato ao seu choro.
"Há outras formas de crescer e ser independente sem ter que passar por esse tipo de trauma." diz Commons. "Meu conselho é manter as crianças seguras, para que aprendam a escolher os riscos que querem correr quando crescerem."
Além de medo da dependência, a dupla confirma que outros fatores ajudaram a formar esse modelo de criação, incluindo o medo de que crianças em criação apegada interferem na vida sexual dos pais, e o medo dos médicos de que pais poderiam por exemplo sufocar seus filhos durante a prática de cama compartilhada. Em adição à isso, o crescenet progresso financeiro das famílias ajudou a criar casas com mais cômodos, com finalidade exclusiva de separar as crianças dos pais.
O resultado, dizem Commons e Miller, é uma nação que não gosta de cuidar pelas próprias crianças, uma nação violenta marcada por relacionamentos frouxos e distantes.
"Eu acho que há uma resistência real nessa cultura do cuidado à criança,"diz Commons. "Mas punição e abandono nunca foram formas de criar pessoas cuidadosas e independentes."

Trabalhar e maternar - parte 2

Da série: como trabalhar e ter os filhos por perto.

Hoje quis retratar como foi possível trabalhar no período da manhã, livre da televisão.

Ingredientes:
- 1 avental
- 1 paleta de aquarela
- 1 pincel
- papel do tipo canson

Viva o empreendedorismo materno!


Criação das crianças com APEGO SEGURO

Achamos fundamental compartilhar esse texto com vocês. Ele trata da realidade e consequências de um bebê atendido e acolhido em todas suas necessidades.

fonte: http://parentalidadecomapego.blogspot.pt

Apego - a base que define a nossa relação com o mundo


O conceito de Apego foi introduzido pelo pelo psiquiatra e psicanalista inglês Jonh Bowlby nos anos 50 que chamou a atenção para o facto de existir, em todos os bebés, uma necessidade inata de estabelecerem um vínculo com uma figura de referência. Esta necessidade, segundo Bowlby estaria presente em todos os seres humanos cumprindo a função de manter o bebé próximo da mãe de forma a garantir a sua sobrevivência. Bowlby explicava também que os bebés exibem alguns comportamentos, como o sorriso e o balbuciar, por exemplo que são gratificantes para os pais e se 
destinam a fazer com que estes tenham vontade de o manter por perto e de cuidar das suas necessidades.
 Os bebés começam por responder de igual modo perante todos os adultos que cuidem de si mas rapidamente vão começando a mostrar preferências por uma figura principal que, geralmente, é a mãe ou outro cuidador principal com quem o bebé passe a maior parte do seu tempo. É possível que o bebé estabeleça também uma relação de apego com um outro cuidador mas, a tendência é para que este seja apenas um apego secundário, pelo menos durante os dois primeiros anos de vida. Se o pai estiver muito presente e envolvido na rotina do bebé é possível que se estabeleça também um apego secundário com ele mas, nos dois primeiros anos de vida, a tendência é para que seja a mãe a principal figura de apego da criança. Isto é visível, por exemplo, quando o bebé chora e só a mãe o consegue acalmar, mostrando que essa preferência já foi estabelecida.
Nos seus dois primeiros anos de vida a criança está a aprender a relacionar-se e também a começar a perceber que esses relacionamentos podem ser uma fonte de conforto, de segurança e de prazer. Quando o bebé tem fome, por exemplo, ele sente-se muito desconfortável até que a sua mãe, percebendo esse desconforto pega nele e o alimenta. O bebé sente o corpo quente da sua mãe, fica confortável nos seus braços e, ao mesmo tempo, sente desaparecer a tal desconforto que ele ainda não sabe que se chama fome. À medida que estas interacções se repetem o bebé começa a associar o conforto que sente no colo da mão ao prazer que os relacionamentos podem trazer.
O sorriso é outro dos comportamentos que, segundo Bolwby se destina a fortalecer o vínculo. E, inicialmente, quando o bebé aprende a sorrir (geralmente entre as 6 e as 8 semanas) começa por fazê-lo indiscriminadamente com todos os rostos que se aproximam mas, com o passar dos meses esses sorrisos começam a ser cada vez mais dirigidos apenas para as pessoas que o bebé conhece bem e ainda mais para as suas figuras de apego. Por volta dos 8 meses surge normalmente a chamada angústia do estranho em que o bebé deixa de sorrir ás pessoas que não conhece bem e pode até chorar quando estas tentam pegar-lhe ao colo. Este marco do desenvolvimento por onde passam todas as crianças com um desenvolvimento saudável – ainda que em algumas possa ser mais notório do que noutras - mostra que o bebé já estabeleceu laços de proximidade e de afecto com as pessoas com quem se sente seguro. Por vezes as pessoas não compreendem que esta necessidade de organizar o seu mundo é perfeitamente natural e reagem de forma negativa a um bebé que se recusa a ir para o colo de estranhos ou até mesmo que se recusa a interagir com as pessoas que não conhece tão bem. Mas este comportamento na verdade demonstra que a criança já aprendeu que os seus pais são uma fonte de prazer e de conforto e, por isso, é muito natural que não queira afastar-se deles.
O balbuciar é mais um dos comportamentos que Bowlby referia como sendo destinado a produzir uma reação nos adultos e, também este, com o tempo, passa a ser mais direccionado ás figuras de apego sendo possível que a criança passe a responder apenas ao pai ou à mãe quando estes falam consigo, ignorando todos os outros adultos por muito que estes tentem obter uma resposta sua. Bowlby teve um papel decisivo na forma como, hoje em dia se encara a importância do relacionamento com os pais, contribuindo, por exemplo, para mudar a política dos hospitais no que respeita à permanência destes com os filhos que são internados, graças a um documentário que filmou com James Roberston mostrando os estágios de desespero e, por fim, de desistência porque passou uma criança de dois anos que foi internada sem os seus pais.
O trabalho deste autor foi também fundamental para alterar a política de muitas instituições de acolhimento de crianças órfãs, abandonadas ou maltratadas.
Depois da segunda guerra mundial houve muitas crianças que ficaram desalojadas e sem pais e Bowlby - que trabalhou com algumas delas - observou os danos que provocava a ausência de uma figura maternal nas crianças que estavam institucionalizadas sem um cuidador principal. Nos orfanatos, as crianças eram cuidadas por várias pessoas num regime rotativo em que as suas necessidades fisiológicas eram atendidas mas não havia praticamente mais nenhuma interacção entre elas e os adultos responsáveis. Para além disso, o facto dos prestadores de cuidados se irem alternando também não permitia às crianças estabelecerem uma relação com nenhum deles. O que se verificava nestes casos é que as crianças que estavam nestas instituições desde bebés apresentavam uma série de alterações comportamentais e alguns atrasos de desenvolvimento e Bowlby defendia que estas ficavam mesmo incapazes de vir a estabelecer laços emocionais verdadeiros por toda a sua vida.
Mais tarde, outras observações feitas em orfanatos em países da Europa de leste, depois da queda do comunismo mostraram também como é essencial que as crianças possam estabelecer relações afectivas para que possam desenvolver-se a todos os níveis. Nestes orfanatos encontravam-se crianças que, tendo sido totalmente negligenciadas do ponto de vista do contacto humano e do afecto, tinham variadíssimos atrasos de desenvolvimento ao nível da linguagem, do comportamento e das emoções. Nos casos mais graves, em que as crianças nunca eram pegadas ao colo e não tinham ninguém que alguma vez falasse com elas acontecia até que deixavam de crescer e a taxa de mortalidade era mesmo bastante superior ao que seria de esperar mesmo nos casos em que eram escrupulosamente cumpridas todas as condições de higiene.
Bruce Perry, um psiquiatra dos E.U.A. descreve alguns casos de crianças que viveram em instituições deste género e que foram adoptadas por pais americanos. O que este psiquiatra encontrou nestas crianças, algumas que conheceu já como adolescentes foi alguma imaturidade emocional e uma grande dificuldade em estabelecer relações afectivas mesmo depois de terem passado anos ao cuidado de pais dedicados, atenciosos e carinhosos.
Nos primeiros três anos de vida o cérebro das crianças está em grande desenvolvimento, é uma fase em que são criadas e eliminadas milhares de ligações cerebrais, por isso é uma fase de grande receptividade e em que todas as experiências vão contribuindo para moldar o cérebro e a personalidade.
Este vínculo que se estabelece com a mãe ou outra figura de referência, a que se chama apego, forma a base para todas as relações que iremos ter na idade adulta. É com a nossa mãe que aprendemos o que esperar do mundo, da vida e das relações. Uma mãe que responde às necessidades do filho com afecto mostra-lhe que o mundo é um lugar agradável, ensina-lhe que os relacionamentos com os outros podem ser uma fonte de prazer e que as suas necessidades são importantes. Uma mãe que não responde às necessidades do filho está a ensinar que as suas necessidades não importam e que não se pode confiar nos outros para obter conforto ou segurança.

Mary Ainsworth foi uma psicóloga do Canadá que teve também um papel importante para uma melhor compreensão do conceito de apego. Esta psicóloga desenhou uma experiência clássica que era usada para avaliar a forma como as crianças dos doze aos dezoito meses se ligavam com as suas mães. De acordo com as observações de algumas centenas de crianças Mary Ainsworth estabeleceu uma classificação dos vários padrões de apego. (ver vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=QTsewNrHUHU )
Nesta experiência - chamada a situação do estranho - a criança e mãe começavam por entrar numa sala desconhecida para a criança onde se encontravam vários brinquedos. Era dado algum tempo para que a criança brincasse e explorasse o espaço e, pouco depois, entrava na sala um estranho que tentava interagir com a criança, primeiro na presença da mãe. Pouco depois a mãe saia da sala e a criança ficava sozinha com o estranho, passados três minutos a mãe voltava e o estranho saía da sala. Mais três minutos depois, a mãe voltava a sair e a criança ficava sozinha. A seguir o estranho voltava e tentava confortar a criança. Por fim a mãe voltava e o estranho saía novamente. Nestas situações que se iam sucedendo, Mary Ainsworth observou que havia um certo número de comportamentos padrão que lhe permitiam estabelecer uma classificação do tipo de vínculo que a criança tinha com a sua mãe:
·       Apego seguro – nestes casos a criança fica visivelmente perturbada quando a mãe sai da sala e procura-a no seu regresso, deixando-se confortar por esta quando ela volta. Quando a mãe está presente, as crianças com apego seguro usam-na como a sua base de segurança para explorar o ambiente. Quando observamos este tipo de interacção, por exemplo, num parque infantil, é normal que a criança se afaste da mãe um pouco e depois volte de novo ao pé desta de tempos a tempos ou que, pelo menos, vá confirmando com o olhar se esta ainda está por perto. Se a criança se magoar ou encontrar algum tipo de obstáculo, nestes casos, é natural que volte para o pé da mãe deixando que esta a conforte. Na experiência do estranho estas crianças mostravam evitar o estranho quando estavam sozinhas mas podiam interagir com ele, mesmo que com algum receio, se a mãe estivesse presente. Quando ficavam sozinhas na sala e o estranho entrava, estas crianças nunca se deixavam confortar por ele mostrando uma preferência bem clara pelas suas mães.
 
·       Apego ambivalente – nestes casos a criança também ficava perturbada quando a mãe saìa da sala e procurava-a quando esta voltava mas, ao mesmo tempo, não se deixava confortar e podia mesmo recusar a proximidade física com a mãe. Nestes casos as crianças mostravam sempre algum receio do estranho e eram crianças que choravam mais e pareciam menos livres para explorar o ambiente á sua volta. Estes são casos em que há geralmente um nível mais elevado de ansiedade principalmente em situações novas.
·  Apego evitante – Estas crianças não mostrava nenhuma ansiedade quando a mãe saìa da sala e também não se mostravam receosas do estranho. Quando a mãe regressava também não havia grandes manifestações de alívio por parte da criança e
     depois de terem ficado sozinhas, as crianças deste grupo deixavam-se confortar tão  bem pelo estranho como pela sua mãe.
A maioria das crianças que Ainsworth observou apresentavam um apego do tipo seguro. Este tipo de vínculo forma-se quando a mãe responde, durante a maior parte do tempo, de forma adequada ás necessidades da criança. Alguns estudos mostram que as mães que respondem mais prontamente ás necessidades das crianças e que demonstram um comportamento empático para com estas têm maiores probabilidades de ter filhos com um apego do tipo seguro.
Este tipo de vínculo permite à criança sentir que as suas necessidades importam e dá-lhe a segurança necessária para estabelecer relações seguras de afecto ao longo da sua vida. Existem algumas investigações que mostram que as crianças com apego seguro se tornam adolescentes mais capazes de estabelecer boas relações interpessoais, têm melhores resultados nas escolas e menos problemas de comportamento. Tudo indica que as crianças com este tipo de vínculo serão adultos com maior capacidade de lidar com os desafios e uma menor tendência para ficarem ansiosas.
Os casos de apego ambivalente surgem em mães que não respondem adequadamente às necessidades dos filhos a maior parte das vezes, embora possam fazê-lo algumas vezes. No caso de mães que estejam demasiado preocupadas com os próprios problemas, como as mães deprimidas ou muito ansiosas, por exemplo, não há uma disponibilidade emocional para estar presente e dar à criança a segurança de que as suas necessidades serão preenchidas. Nestes casos a mãe transmite à criança que, durante uma boa parte do tempo, não é capaz de a compreender ou de satisfazer as suas necessidades e a criança aprende que aquela pessoa não é uma fonte de conforto segura, estável e permanente. Uma criança com apego do tipo ambivalente fica muito mais limitada na sua exploração do mundo porque não tem uma base de conforto que lhe dê a segurança de que necessita. Nestes casos a criança, principalmente em ambientes estranhos, procura a mãe com frequência e pode até parecer muito dependente desta mas só o faz porque se sente demasiado insegura para poder largá-la. Estes casos é muito provável que deêm lugar a adultos inseguros e com alguma dificuldade em estabelecer relações. Podem tornar-se pessoas que têm muita necessidade de formar essas relações, como se quisessem preencher esse vazio que sentem sempre, podendo chegar ao ponto de estabelecer relações de dependência em que há uma ânsia de contacto mas, ao mesmo tempo, não confiam o suficiente em si mesmos nem nos outros para se poderem entregar totalmente á relação.
Os casos de apego evitante surgem normalmente em situações de negligência ou de abandono. A criança que nunca foi confortada pela presença da mãe acaba por deixar de precisar dela e qualquer adulto serve como fonte de conforto porque não há um vínculo com a mãe que torne essa relação única e insubtituível. Nestes casos a criança ficará, provavelmente para sempre – a menos que exista um esforço activo para alterar esta situação - com alguma dificuldade em estabelecer relações profundas e duradouras porque o seu cérebro nunca foi estimulado para formar laços. Nestes casos haverá sempre um certo défice de empatia, a pessoa terá alguma dificuldade em avaliar os seus sentimentos e, consequentemente terá também dificuldade em considerar as emoções dos outros com quem se relaciona. Nos casos em que Bruce Perry descreve de crianças que viveram pelo menos os primeiros dois anos das suas vidas em orfanatos, mesmo tendo sido adoptadas por pais afectuosos e dedicados, enquanto adolescentes apresentavam sempre algumas dificuldades de relacionamento com uma certa imaturidade emocional.
Hoje em dia usa-se ainda uma quarta classificação do tipo de apego:
  • Apego desorganizado – este tipo de vínculo é o que se forma normalmente em situações de maus tratos que colocam a criança num dilema que não tem solução: a mesma pessoa que deveria ser uma fonte de conforto e segurança é a que a coloca em situações de perigo de sofrimento e por isso, criança fica sem saber o que esperar daquela relação, ao mesmo tempo que deixa também de confiar nos seus próprios instintos. Uma criança que cresce neste tipo de ambiente terá sempre uma tendência para se manter hipervigilante, procurando nos outros sinais que possam prepará-la para lidar com o perigo iminente. Para além deste estado de hipervigilância constante, que leva a um estado de tensão quase permanente, estas crianças também pode apresentar alguma dificuldade no controlo dos impulsos (uma vez que nunca ninguém lhes mostrou como fazê-lo) acabando, mais tarde, por se tornarem elas próprias nos agressores.
Algumas formas de contribuir para a construção de um apego seguro
  • Responder prontamente ás necessidades da criança – os pais que respondem ao choro dos filhos mostram-lhes que as suas necessidades são importantes e, ao mesmo tempo, que estes têm a capacidade ou o poder de interagir e de alterar as suas condições de vida. Respondendo ao choro das crianças, os pais ensinam-lhe que estão presentes quando é preciso e que podem contar com eles.
  • Estar presente na vida da criança – para que se estabeleçam laços antes de mais é preciso tempo. As figuras de referência para a criança, sobretudo nos três primeiros anos de vida, têm de estar presentes durante uma boa parte do tempo. alguns estudos mostra que o tempo passado na creche antes dos 4 anos aumenta a probabilidade de comportamentos agressivos, anti-sociais e de desobediência. Ver artigo em: www.psychlotron.org.uk
  • A qualidade é importante mas não se deve sobrepor à quantidade – por vezes existe a noção de que é mais importante que os pais tenham alguns minutos de qualidade com as crianças do que passarem o dia inteiro com elas. É claro que a qualidade do tempo que estamos com as crianças conta: a simples presença física, se não houver uma disponibilidade emocional, também pode ser sentida como um abandono. Mas, o que é certo é que a criança precisa de muito mais do que apenas alguns minutos de qualidade com os pais, as crianças antes dos 3 anos não têm noção do tempo e vivem no imediato por isso se a criança precisa da mãe ela tem de estar presente ali, naquele instante. Não adianta dizer a uma criança que chora porque a mãe não está que ela vai chegar á noite, quando sair do trabalho, para criança se a mãe não está presente naquele momento em que ela precisa dela é porque nunca estará. Com o tempo a criança aprende a interiorizar a imagem da mãe e a perceber que pode contar com ela mesmo que esta não esteja presente mas isto não acontece antes dos três anos. Todas as ausências maiores do que 24 horas podem ser sentidas como traumáticas para uma criança com menos de três anos. 
  • Não recorrer a uma rotatividade grande de cuidadores – se a mãe e o pai não podem estar presentes, o ideal é que a criança possa ficar sempre a mesma pessoa com quem tenha possibilidade de estabelecer um vínculo. Por vezes preocupamos-nos mais com os sentimentos dos adultos do que com as necessidades da criança e há crianças que vão uns dias para casa de uns avós e outros para casa de outros. Mesmo que isto seja feito com rotinas bem definidas, a criança precisa de estar muito tempo com a mesma pessoa para que possa estabelecer um vínculo seguro com ela. Isto é especialmente importante no caso dos bebés ou crianças pequenas. Depois dos dois ou três anos de idade a criança até irá beneficiar de ter contacto com mais familiares e poderá, mais facilmente passar algum tempo com estes, principalmente se se sentir bem segura no seu vínculo principal.
  • Use o seu bebé
     o babywearing é uma boa forma de cultivar um vínculo seguro. Os bebés precisam de se sentir em contacto com as mães e usar o seu bebé num pano, sling ou porta-bebés ergonómico permite-lhe fazê-lo com conforto e segurança. Há quem defenda que os primeiros nove meses, até que o bebé aprenda a gatinhar devem ser como uma exogestação em que o contacto com o corpo da mãe é quase constante. Os bebés em contacto com as mães ficam com um ritmo cardíaco mais estável, choram menos e têm menos episódios de cólicas. Quando a mãe pega no bebé ao colo está também a produzir – no seu próprio organismo e no do bebé – endorfimas e oxitocina, hormonas que produzem uma sensação de bem-estar e de tranquilidade e que podem contribuir fortemente para que a mãe não sofra de depressão pós-parto. A oxitocina é também responsável pela produção de leite, pelo que esta prática também facilita o aleitamento.
  • Amamentar – dar de mamar é uma excelente forma de promover o vínculo, é uma forma de o bebé sentir o contacto com o corpo da mãe, de acalmar e também uma forma da mãe se sentir capaz e confiante de que sabe tratar do seu filho. Hoje em dia muitas mulheres desistem da amamentação porque não são bem apoiadas ou aconselhadas a este respeito. Se sentir algum tipo de dificuldade na amamentação procure uma conselheira de amamentação e confie que o seu corpo é capaz de produzir o melhor alimento para o seu bebé.
  • Respeito – é essencial tratarmos com respeito as necessidades das crianças para que elas se sintam ouvidas, compreendidas e aceites. Isto implica que sejamos capazes de as ouvir e de ver o mundo através dos seus olhos mesmo nas alturas mais exigentes.
  • Empatia – mostrar que compreendemos os sentimentos dos nossos filhos quando, por exemplo, estes se sentem frustrados por não poderem fazer algo que lhes apetecia é uma forma de validarmos as suas emoções e pode mesmo facilitar muito a compreensão das regras e dos limites por parte destes. 

Bebêchila no Baby Boom


Começa amanhã a feira Baby Boom!

Para quem não conhece ou nunca foi, o Baby Boom é a feira de artigos infantis mais requintada, de bom gosto que tem em São Paulo! Super agradável, com espaço delicioso de café e atividades para os pequenos.

A Bebêchila já participou em 2011 com a Cia das Mães e nesse ano participamos de novo no stand da Superkapow.

Fizemos uma correria danada para fazer toda a produção da feira, selecionamos as Bebêchilas que mais fazem sucesso entre nossas clientes.

E nessa linta não poderiam faltar:







 Venham!!!!

Trabalhar e maternar é possível?!

Trabalhar e estar com os filhos sempre por perto é uma realidade que precisa ser ajustada todos os dias. Os filhos vão crescendo e os interesses pelo mundo vão se ampliando. E a necessidade de horas de trabalho pressionam o cotidiano das mães empreendedoras.
E a tv ali ao lado se mostra tentadora para unir esses dois desejos, do filho e da mãe.
Aperte alguns botões e hop, a mágica se opera.
Será que é assim tão fácil, indolor e sem consequências?
Trabalhando à frente da Bebêchila e sendo mãe de duas meninas de 3 e 5 anos, esse questionamento percorreu alguns caminhos até chegarmos aos combinados atuais, que, claro, poderão ser reajustados em breve.
Aqui, já deixamos correr solto o pedido para ligar a tv, já restringimos o tempo ("só 20 minutos, tá bom?"), tiramos a tv da sala e colocamos em um cômodo, passamos depois a restringir a tv para apenas filmes em dvd, ouvindo depois continuamente ("outra vez, mamãe!"), e mudar de novo o combinado para "um só filme por dia".

E, para minha surpresa, depois desse último combinado, elas quaaase não tem pedido para ligar a tv! Não imaginei que isso aconteceria...
Claro, no paralelo, muito trabalho foi feito: organizações constantes dos brinquedos no quarto e sala, rodízio de brinquedos que são guardados no maleiro e trocados a cada 2 ou 3 meses, incentivo a brincadeira entre elas, incentivo a resolver os conflitos sem precisar da minha intervenção, propor atividades de tinta, argila, terra.
E para o meu trabalho isso significou, 1 hora de trabalho e 15 minutos de arrumação.
E antes era 1 hora de trabalho e 2 horas de crianças cansadas, nervosas e brigando entre si.

Outro dia, elas foram dormir na casa da avó e eu disse "filha, leve seus filmes, não fique assistindo lá o discovery". E emendei: "filha, você sabe porque eu não quero que você assista tv?". E ela: "puquê tem muita pupaganda." E eu: "e porque você acha que eu não quero que você assista às propagandas?". E ela "puquê é do mal". (risos internos) "Não filha, não é porque é do mal, é porque propagando é para adulto, não para criança." Saiu assim, sem planejar.
Claro que dentro de mim fiquei citando a minha lista pessoal das reclamações que tenho dos canais infantis (qualidade dos desenhos, valores questionáveis, respostas prontas, padrões de menininhas-dóceis e meninos-valentões, e mais uma série um pouco longa), mas eu não ia encher a cabeça dela.

No meio do caminho dessas fases de combinados, fomos viajar em alguns feriados e a regra lá era: descanso da tv. Não ligávamos a tv nenhuma vez, e pude perceber que elas escutavam os sons da mata, se deliciavam com o vôo das borboletas, com o musgo das pedras, com os cheiros diferentes de cada flor, com a horta, com os animais e, o mais legal, elas descobriram o prazer de brincar juntas.
Surgiu a brincadeira do cavalo e da moça do cavalo. A da gata filhote e gata mãe. Da moça da loja e da cliente ("quienti"). A do leão ferido e do veterinário. A do tigre que caça a zebra. A da mãe e da filha.
E hoje, sento para trabalhar de manhã e ouço do quarto: "mãaae!" e a outra responde: "oi filha!".
E claro, nem todo dia é assim.



A primeira slingada a gente nunca esquece...

Minha primeira slingada* foi em dezembro de 2007, quando as slingadas ainda eram na casa da Analy Uriarte. Analy foi uma das fundadoras da Matrice - ong de apoio à amamentação, ativista do parto, da criação com apego, uma criatura adorável, mulher empoderada mãe de 3 filhos. Na época, Analy estava à frente da SampaSling, empresa referência em carregadores de bebê. Nessa primeira slingada, eu estava grávida de 5 meses da minha primera filha, Helena, hoje com 5 anos. Lembro que comprei um pouch lindo, verde cheio de mandalas.

Helena, 1 semana de vida!

Depois dessa primeira slingada fiquei fascinada pelo mundo do parto humanizado e da maternagem ativa. Fiz muitas amizades e muitas delas conservo até hoje!

Tempos depois, voltei na casa da Analy com a Helena recém-nascida, com muitos problemos na amamentação. Analy me deu dicas preciosas para acertar a pega da Helena, foi muito apoio e carinho. Mais tarde, com a Helena bem forte e mamando no peito, compartilhei essas dicas diversas vezes nas reuniões da Matrice.

Hoje as slingadas são lideradas pela Rosângela Alves, da SampaSling, uma dessas amizades desde essa época.

Cacá nos ensinando o banho de balde, em abril/08



E elas acontecem no Espaço Nascente do Cacá e da Andrea, queridos profissionais que me ajudaram muito com a amamentação, relactação e no vínculo todo com a Helena.






Cinco anos depois de tudo isso, sou mãe da Helena e também da intrépida Aurora. E continuo participando das slingadas, só que com a Bebêchila, compartilhando com outras mães e pais o prazer de construir uma história de vínculo com seus bebês.


Helena no primeiro pouch
Aurora em um sling de argola





















* slingada é  o nome dado ao encontro com famílias e seus bebês para trocar informações sobre carregadores de bebê.

Amamos os pais ativos!!!!

"Amamos os pais ativos!"
Ousaria dizer que poderia ouvir essa frase de TODAS as mães desse mundão.
Nesse post, a Ligia Moreiras Sena do www.cientistaqueviroumae.com.br escreve lindamente sobre essas transformações da paternidade nos nossos tempos.

http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2013/04/pais-nossos-quando-o-homem-decide-se.html


Pais nossos: quando o homem decide se entregar à paternidade

Como é bacana ver um pai ativo. Um pai envolvido, disposto a se embrenhar na criação dos filhos tanto quanto a mãe. Acho lindo. Comento com as pessoas quando conheço um pai desses, valorizo, destaco a importância, falo sobre.
"O cheiro da casa, o cheiro do quarto, era uma coisa muito marcante.
A gente não comprou aquela essência, ela apareceu do nada".
Mas não deveria ser assim.
Não deveria mesmo.
Deveria ser natural... deveria ser comum, frequente.
Deveria ser tão natural quanto ver uma mãe ativa.
Deveria ser a regra.
Mas, sabemos... Não é.
Estamos vindo de um processo histórico em que a paternidade representou, por muito tempo, a provisão material, o colocar dinheiro para dentro de casa, o trabalho do homem fora, chegando tarde, para sair cedo no dia seguinte, dizendo ser esse seu papel na família: o sustento, o prover. E tá muito bom, obrigada, não me amole, estou fazendo meu dever como pai.
Esse era o homem de família, o pai de família dedicado e cumpridor do seu dever.
Mas como a fila anda e a história também, muita coisa vem mudando na estrutura social desde as décadas de 60, 70, mesmo que a passos lentos.
Talvez nem tão lentos...
Tenho 34 anos. E fui criada - aquela criação mesmo, pra valer, diária, de amor, beijo, briga, bronca, ensinamento do dia a dia - por  minha mãe. Sou muito amiga do meu pai, nos damos muito bem, mas criação mesmo eu recebi dela. E isso também porque ele era aquele pai comum do meio urbano dos anos 80. Levantava cedo, se arrumava, ia para o trabalho, voltava à noite, trazia um chocolate, assistia Jornal Nacional, dormia e recomeçava tudo no dia seguinte. Não se interessava muito pela criação em si. Nunca me agrediu, xingou ou foi violento, nem mesmo verbalmente. Pelo contrário, foi sempre muito carinhoso, afetuoso e amigo. Mas pai perto da gente, pra valer, era só no fim de semana. Esperávamos ansiosas para estar com ele, tão raras eram as oportunidades. Pai para mim era isso. Claro que poderia ter sido aquela variação de pai que trabalha fora o dia inteiro e, ainda assim, se envolve ativamente, dá o jantar para os filhos, dá o banho, troca a fralda, coloca o pijama, conta uma história, acorda durante a madrugada para dar um colinho e tal. Mas não foi. E para mim - e a grande maioria dos meus amigos de infância - essa era a regra.
Mas agora, não é mais regra não.
Três décadas se passaram e hoje minha filha tem um pai que é tão presente quanto eu, em todas as questões. E muitos dos meus amigos já pais também são assim. Acho que a  maioria. Envolvidos, ativos, presentes, participativos. Gente que esteve junto e misturado durante a gravidez, que se disse grávido, que estudou sobre o parto, que amamentou junto, que desmamou junto, que dormiu junto, pai pra valer, pai de madrugada, pai de cólica, pai de dentinho nascendo, pai que sabe ler o choro, que conhece os diferentes tons de chamado, que entende de cocô, pai. Pai. De verdade. Assim. P-A-I.
Tenho visto que a maternidade ativa, de modo geral, não vem sozinha. Ela vem fortemente acompanhada, apoiada, sustentada e enriquecida pela paternidade ativa. Mesmo porque, acredito piamente na relação direta entre maternidade ativa e empoderamento feminino. Quanto mais empoderada, mais realmente envolvida nas questões sobre filhos está uma mulher, mais exigente ela se torna. Que mãe questionadora, ativa, investigadora do que é melhor para seu filho, seletiva, conectada aceita uma paternidade mais ou menos? Poucas. E mesmo as que aceitam, aceitam por pouco tempo. Logo se cansam e percebem que podem tocar a vida sozinhas e muito bem, obrigada.


"Eu tava cuidando do bebê e dela ao mesmo tempo, que ela também
não estava muito legal. Mas eu tinha a experiência da minha primeira
filha"
Nesse fim de semana, teve mais um Bazar Coisas de Mãe aqui em Florianópolis, aquele evento do qual sou uma das fundadoras e que está em funcionamento há mais de 2 anos e meio. E a quantidade de pais ativos que encontrei foi algo assim... realmente especial. Homens que sabem absolutamente tudo sobre o que está acontecendo na vida dos filhos, quais os saltos de desenvolvimento pelos quais estão passando, que cuidam deles tanto quanto as mães e mostram-se conectados, interessados. Que escolhem a roupinha pensando se vai prender o movimento, que perguntam sobre os ingredientes do alimento, que perguntam sobre um determinado livro e se interessam em aprender como dar banho de balde no bebê. Pais que mudaram de vida para estar mais presentes, que conhecem os componentes utilizados na fralda que seus filhos usam, que amarram seus slings e vão fazer pão.
E eles são cada vez mais numerosos. 
Na própria fan page deste blog  há uma grande quantidade de homens assim, o que me deixa muito otimista e feliz. 
Lembro-me que, em 2010, quando minha filha tinha apenas três meses, nós organizamos em nossa casa um Baby Ballads - nome que demos brincando e pegou. Juntamos uns quatro ou cinco casais com bebezinhos bem novinhos e crianças e fizemos uma festinha noturna em nossa casa. Aqui no blog tem o relato disso, com foto e tudo, só não procurei o link. Aquilo nos uniu muito. Hoje somos todos amigos e fazemos questão de nos encontrar, ainda que demore um pouco em função do corrido da vida. Uma dessas amigas - hoje com dois filhos, um nascido de cesárea e a outra de parto normal 1 ano e três meses depois, cujo relato de nascimento também está aqui no blog -, certa hora, entrou e comentou: "Os homens estão lá na churrasqueira reunidos, conversando. Não quis interrompê-los. Estão muito empolgados conversando sobre... parto". 
Sim, eles conversam sobre parto, sobre filhos, sobre coisas que pertencem ao universo de todos os seres humanos, mas que por uma questão de valores patriarcais, arcaicos, machistas, eram considerados como exclusivamente pertencentes ao universo feminino... Como se amor fosse seletivo e escolhesse gênero. Como se amor pelos filhos estivesse nos ovários ou nos testículos e não na essência de um ser humano.

Então agora eu vou parar por aqui para que você possa usar seu tempo para ouvi-los.  
Muitas mulheres se reúnem sempre para compartilhar suas histórias de parto, de gestação, maternidade, em rodas de conversa, bate-papos, grupos e tal. Mas poucas vezes os homens fazem isso - e será lindo quando isso se tornar mais frequente. Lindo e empoderador. A revolução feminista que se iniciou nas décadas de 60 e 70 continua em andamento, estamos aí, braços fortes em riste com punhos cerrados lutando por nossos direitos, pelo respeito e pela equidade de gênero. E eu acredito sinceramente que o que falta agora é a revolução do homem. Não a revolução do macho, que esse aí já se tornou obsoleto e caricato. A revolução do homem que assume de fato todas as partes da sua vida. Inclusive as lindas experiências que só a paternidade ativa pode oferecer.

Assista a esse vídeo. É uma roda de homens que conversam sobre a gestação e o parto da companheira. Eu adoro ouvi-los. Eles são sinceros, envolvidos e estão à vontade para contar sobre suas experiências na gestação e parto. Eles são tudo de bom.
Que isso se torne cada vez mais frequente.
Que os homens assumam de uma vez a parte que lhes cabe nesse feliz latifúndio onde criamos seres humanos para a vida.


http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=xnsb2gZkNho

"Ele acordava e a mãe nem acordava. Eu pegava o bebê do berço, ele chorava, eu já sabia, tá com fome. Ia lá, tirava o seio dela, colocava na boca dele, ele mamava, ela dormindo, aí quando ele soltava o peito eu ia lá, botava ele pra arrotar e pá, e botava na cama. E aí no dia seguinte ela me perguntava: 'E aí, ele mamou quantas vezes?' Tipo assim..."
Só entende a delícia disso quem passou centenas de noites acordando para amamentar.
Inspirem-se! Vale a pena.



Mamatraca agora também na UOL!

Nessa semana, uma notícia que nos traz esperança de que o cenário atual da maternagem no Brasil vai mudar.
Práticas violentas no parto e desumanas nos recém-nascidos, dilemas angustiantes entre maternidade e carreira, condutas infames de não apoio ao aleitamento materno, infância livre de comsumo, crianças abduzidas pelas telas de ipad, ipod, tv, alimentação consiente e saudável, maternagem com apego criando gente segura e amorosa.
Esses são uns dos temas que o Mamatraca sempre debateu e agora também "em rede nacional", no site da UOL.
Esse é o nosso fôlego de esperança da semana e do ano!
Longa vida ao Mamatraca na UOL!


http://mamatraca.com.br/?id=511&porque-e-importante-voce-compartilhar-esse-link#post_comments

PORQUE É IMPORTANTE VOCÊ COMPARTILHAR ESSE LINK?

É camaradagem materno-internética...

Depois de quase dois anos de trabalho ardente o Mamatraca atinge um novo patamar. Fomos convidadas para levar nosso trolóló materno para o UOL. Para quem não sabe o UOL é o maior portal de notícias do Brasil. E isso é duma importância danada.

Primeiramente porque a gente está toda-toda, naqueles momentos da ego trip que demoram para passar. Umas falam em enquadrar o print da home do UOL e colocar na sala. Outras sonham com tudo o que há por vir dessa nova fase e é aí que chegamos num consenso: há muito por vir, e a gente quer fazer bonito.

Deixando o egocentrismo de lado, estamos contentes porque de alguma forma nos sentimos representantes de alguns grupos específicos da internet materna. E se isso era somente uma suspeita, uma vez que o Mamatraca nasceu com essa cara, màes diferentes, falando dos mesmos assuntos, confirmou-se depois do delicioso convite. As mulheres de negócios, as plantadoras de tomate, as que curtem um lazer com filhos, as ripongas, as que querem parir na porta, as que tem medo da dor do parto, aquelas que viajam sempre, aquelas que nunca viajam, quem gosta de tevê, quem não põe na escola, quem troca brinquedos, quem não troca nada (nem fraldas), todas unidas por uma única razão: carregam a tag "mãe" quando falam de si mesmas.

É claro que o Mamatraca não representa todos os aspectos e cobre todas as nuances da viagem majestosa que é a maternidade (nem tampouco temos a intenção de, que chatice seria contemplar tudo), mas entendemos que essa nova etapa vem de encontro com algo que queríamos muito: voz.
Para as Mamatracas fundadoras, as Mamatracas convidadas, as leitoras, as comentaristas. Voz para as mães que estão na internet.

Então pensamos, a gente poderia fazer uma campanha de fotos no FB : Eu sou mãe e o Mamatraca me representa. Vocês poderiam imprimir camisetas e ir às ruas, tirar fotos e compartilhar horrores na internet. Mas alguém já tinha tido essa ideia, por um outro motivo menos delícia do que ter um filho para criar, e resolvemos deixar isso para lá.
 
 
Então surgiu esse simples texto, agradecendo a todos que nos acompanharam desde o início, celebrando a nova fase e garantindo que muito há por vir. E é por isso que é importante que você compartilhe esse texto. Conte para suas amigas que o Mamatraca está no UOL. E que queremos levar os dilemas e maravilhas da maternidade (crítica, inteligente, bem humorada, do jeito que a gente gosta) para tantas freguesias quanto forem possíveis.

Não se esqueçam de contribuir com temas, sugestões, críticas e elogios, (muitos elogios - lembrem-se que somos partidárias dos reforços positivos!) Brincadeirinhas à parte, ganhamos um megafone, mas continuamos sendo as boas e velhas (masi boas do que velhas) Mamatracas. Por mães, para mães agora com mais espaço para falar. Vem com a gente?
Clique aqui e leia a coluna de estréia, com a Roberta Lippi contando sobre a sua (não) saudade da gravidez.
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Mudanças de padrões - partos no Brasil

Os ventos estarão mudando no cenário obstétrico brasileiro?


Por: Mari Zanotto (com a colaboração de Gabi Sallit)
em: http://minhamaequedisse.com/2013/04/os-ventos-estarao-mudando-no-cenario-obstetrico-brasileiro/
Esse post não é exatamente um post, e sim uma coletânea de referências sobre um assunto que está em pauta: a violência obstétrica e o modo como partos são feitos no Brasil. A ideia é ser um ponto de partida para que, no esquema "um-link-puxa-o-outro", mulheres (e homens, ora pois!) se informem e se preparem para as escolhas que vierem junto com a gravidez.     
Quem tiver mais sugestões de links sobre o assunto, mande para cá que a gente atualiza! 
A blogosfera me abriu os olhos para um bocado de coisas que eu encarava com a naturalidade do é assim que é. Eu fui a grávida típica que diz "quero tentar um parto normal", mas sem muita convicção. Pra falar a verdade, eu tinha certeza de que só teria cesáreas, assim como aconteceu com a minha mãe (que em suas gestações sucumbiu a dois clássicos:  a  "não-dilatação" e a "circular de cordão". Familiar para alguém?).
Contrariando as estatísticas, eu tive sorte: meu obstetra acreditou no meu desejo pelo parto normal e respeitou esse desejo. E assim tive os meus dois pequenos no hospital, em partos que já defini como "meio humanizados": com algumas intervenções que eu aceitei sem questionar muito e um tratamento cuidadoso com o RN (o que entendo hoje como parto Leboyer, confere?). De modo geral, sou muito tranquila e satisfeita com essa minha história. Mas, sabendo o que sei que hoje, posso apostar que  ela teria sido um pouco diferente...
Na primeira gravidez não questionei as práticas do obstetra: episiotomia, "sorinho" (ocitocina sintética), anestesia aplicada ainda no início da dilatação, necessidade de romper a bolsa artificialmente (o que só não aconteceu porque no exato instante em que ele disse isso minha bolsa fez PLOP!, acredite se quiser). Aceitei as intervenções e considerei que seriam para conforto e segurança de mãe e bebê. Mentira: até questionei a necessidade da episio, mas recebi de volta uma resposta científica que eu não tinha nenhuma chance de replicar. Ter lido muitas vezes que episiotomia era uma prática muitas vezes desnecessária não me preparou para lidar com uma justificativa médica bastante convincente para fazê-la (algo a ver com deslocamento da bexiga, pelo que eu me lembre). Segundo meu médico, esta é uma possibilidade bem pequena, mas séria - e portanto justifica o procedimento para minimizar os riscos. Como contraargumentar, se eu nem sabia que bexigas podem se deslocar? Minha pequena tentativa de sair do roteiro ruiu aí, derrotada pela falta de informação. (Texto da médica-obstetra Melania Amorim sobre episiotomia, aqui).
Na segunda gravidez, já mais informada, consegui estabelecer alguns limites e  desenhar um plano de parto. Até considero que as intervenções que ocorreram ("sorinho" e anestesia, dada mais tarde e em menor dose) foram escolhas minhas, tomadas de acordo com a informação que eu tinha na época. Mas sei que esta informação, embora maior, ainda tinha lacunas. Se  antes a ocitocina sintética me parecia apenas um recurso inócuo para acelerar um processo leeeento (por que não?), hoje entendo que ela não é de forma alguma igual à ocitocina natural e que essa substituição cobra um preço (matéria interessante da Pais e Filhos portuguesa sobre o assunto, aqui). Se antes eu não cogitava um parto sem anestesia, hoje eu consigo entender as motivações de quem faz (embora ainda não me veja no lugar delas, hoho!). Ainda não sei um monte de coisas, mas tenho certeza de que, se eu tivesse um terceiro filho agora, o meu plano de parto seria bem diferente.
Informação é a coisa mais importante do mundo quando estamos grávidas. Sem ela, somos vítimas fáceis do sistema obstétrico praticamente industrial que impera no Brasil hoje. Um sistema que desumaniza, despersonaliza, leva frieza ao momento que poderia ser um dos mais calorosos de nossas vidas. Eu descrevi uma história relativamente tranquila, mas ela nem se compara às histórias de horror que muitas mulheres relatam ter vivido durante seus partos. Indico muito a leitura dessa reportagem, fundamental para quem quer se informar sobre violência obstétrica e o sistema de partos que existe no Brasil hoje: Na hora de fazer não gritou, por Andrea Dip

Pois bem. Há alguns dias estive na exibição fechada do filme "O Renascimento do Parto" (ainda sem data de lançamento). O filme é uma porrada. Mostra o que o paninho azul esconde, o que as luzes do centro cirúrgico ofuscam, o que o circo das lembrancinhas, equipes de filmagem e telas de plasma abafa: partos sendo feitos de maneira assustadoramente violenta.
Mostra o que a mãe, em posição horizontal e muitas vezes com pernas amarradas, não vê: uma tesoura cortando seu períneo, rotina na maioria dos partos normais hospitalares.
Mostra a agressividade de uma cirurgia cesariana e como é um espanto que ela tenha sido tão banalizada. (Texto da Anne sobre o impacto de ver a cesárea, aqui)
Mostra - e é um choque! - o manuseio pouco cuidadoso do recém-nascido. O afastamento do corpo da mãe, as pálpebras forçadas com os dedos, a interminável sonda enfiada nariz adentro, os inacreditáveis tapas no bumbum (que eu sempre considerei que eram apenas uma lenda pitoresca, mas nunca, em hipótese alguma, uma prática de um médico contra - a palavra é essa - um bebê que acabou de nascer.)
É sempre assim? Claro que não. Mas acontece, e não é raro.
O filme escancarou para mim duas distorções muito malucas: um momento de afeto e delicadeza tratado como linha de montagem; e um processo fisiológico virando evento médico a priori, mesmo sem necessidade. E o mais maluco de tudo: a gente se acostumou. É assim que é.
Ao fim da sessão estávamos todos emocionados e, sobretudo, otimistas. Sentimos que estava ali uma chance preciosa de  mudar esse cenário. A violência obstétrica já está em pauta há algum tempo, mas VER a violência faz muita diferença. Impossível não ser tocado pelas imagens, e também pelas falas de mulheres que foram desrespeitadas ou profissionais que lutam por partos mais humanos.
O filme está em fase de distribuição e ainda não há previsão para o lançamento. Assim que uma data for confirmada a gente corre aqui para avisar!
***
Mais boas novas, direto da caixinha de novidades da sempre informada Gabi Sallit (que, pra quem não sabe, é a advogada por trás da primeira ação judicial contra violência obstétrica no Brasil):
Desde 2011 o SUS faz uma pesquisa de qualidade relativa às internações na rede - atendimento ao parto incluído. Todo paciente recebe em casa uma CARTA SUS, com o valor dos procedimentos que realizou e um campo para avaliar o atendimento que recebeu. Obstetra fez uma intervenção sem avisar, enfermeira te tratou com desrespeito, tiraram seu companheiro da sala, te esqueceram sozinha no corredor? CARTA SUS neles! Boa notícia para quem acredita que o tratamento que parturientes têm recebido em seus partos precisa começar a mudar...




Outra iniciativa é a Ouvidoria Ativa da Rede Cegonha.
Mulheres que tiveram seus partos dentro da Rede Cegonha (uma estratégia do Ministérios da Saúda para melhorar a assistência ao parto, também vinculada ao SUS) recebem uma ligação e respondem a 38 perguntas sobre atenção à saúde no pré-natal, parto, pós-parto e saúde da criança, mais seis questões relacionadas ao perfil como idade, estado civil, escolaridade e renda familiar. As usuárias são escolhidas por amostragem e mais de 50 mil já foram entrevistadas.

Tudo isso me faz constatar, com alegria, que o tema da violência obstétrica está em pauta e o cenário parece estar começando a mudar. É preciso se informar e denunciar atendimentos de má-qualidade. Esse post da obstetriz Ana Cristina Duarte ajuda a identificar a violência. Esse outro da Gabi orienta sobre como denunciá-la.

Por fim: a intenção desse post não é defender este ou aquele tipo de parto. Defendemos que mães e pais tenham o direito de escolher como querem ter seus filhos. Mas que seja um escolha de fato, baseada em informação de qualidade. Então vamos pesquisar os prós e contras de cada modelo, confrontar os médicos (de lá e de cá), entender e assumir as consequências de cada escolha que fizermos. O que tentamos aqui foi estimular o primeiro passo, o que requer mais coragem, o que é um caminho sem volta: afastar os paninhos azuis que cobrem a visão.

Mais sobre o assunto:
Você quer um parto normal? pergunte-me como!
Vídeo Violência Obstétrica, a voz das brasileiras
Mapa da Violência Obstétrica - site que recebe denúncias de abusos no parto
1:4 - retratos da violência obstétrica - projeto fotográfico que busca materializar as marcas invisíveis deixadas pela violência obstétrica

E para quem está procurando um atendimento humanizado ao parto mas não sabe onde encontrar em sua cidade, vale conferir a lista de grupos de apoio ao parto no Brasil, apoiados pela rede Parto do Princípio.

Mari é mãe de Alice e Lucas, autora do Pequeno Guia Prático para Mães sem Prática (que não é um guia, nem é pequeno, nem é mais de uma mãe sem prática, ok? Tudo mentira!) e uma das editoras do MMqD.